Sempre escondido na foto...

    Gilberto B. da Cunha
    Psicólogo CRP 07/21456
    
    Nos encontros de família, nas viagens ou na escola sempre chegava aquele terrível convite, quase uma imposição: vamos bater uma foto. Sempre havia uma justificativa irrefutável: é para a lembrança da família. Mas, quase sempre a foto ia para a casa dos avós, das tias, dos parentes distantes. Sempre ultrapassava à casa dos fotografados.
    Eu era avesso a esse momento, quando chegava a hora da foto eu corria para qualquer canto, mas não adiantava, alguém me encontrava. O resultado era a minha cara séria e contrariada. Eu não me acertava coma máquina fotográfica, éramos inimigos declarados. E quando chegou a primeira comunhão? Um horror ficar na frente daqueles fotógrafos. Eu e mais aquela gente toda e mais a gravata borboleta apertada era um martírio. Eu tive de enfrentar isso.
    Ainda hoje sou oposto a fotos, quase hostil. Tanto quanto posso, eu fujo desses momentos e se pudesse não apareceria em nenhuma foto. Mas, me tornei um pouco mais ameno com essa minha postura. Às vezes, até participo, mas ainda não consigo sorrir, fico encabulado. Não perguntem e nem tentem descobrir a razão. Sou assim e pronto. Eu e as fotografias temos uma distância enorme, elas lá e eu cá.
    Há pouco recebi uma foto de quando eu era bebê (faz muito tempo) e até achei que o bebê da foto era simpático, como costumam ser todos os bebês. Então, eu pensei que o meu trauma com fotos surgiu depois dessa foto. Ao que parece, eu estava muito à vontade, sem nenhuma resistência. Depois, eu passei a ser sempre o escondido na foto!
(Eu e a minha irmã, no final da década de 50 ou início de 60)

Nenhum comentário:

Imagens de tema por Storman