TERESÓPOLIS: O NOVO E O VELHO
Teresópolis: O novo e o Velho
Gilberto B. da Cunha
Psicólogo CRP 07/21456
Ando apaixonado pelo meu bairro, a cada dia me encanto com os seus prédios, com as suas ruas, com as suas árvores e com a sua gente. Elas me evocam um espírito de poesia, de lembranças de um passado cheio de histórias. Tenho me encontrado com ancestrais que se escondem nas janelas antigas das casas, com os sinais de pisadas apagadas sobre as velhas calçadas, com as sombras à beira das casas transformadas em prédios.
Tenho sentido a brisa gelada em minha alma e com ela as vozes remotas de um passado sempre presente. Vejo em cada árvore os movimentos que dançam uma valsa de uma época de todos os tempos. Vejo um busto roubado, mas conservado o suporte de pedra que sustentou por muitos anos. Ele continua de pé sobrevivendo ao tempo. Observo cada casa com as suas janelas com eira e beira e nelas um registro de almas perdidas e a imagem de lembranças eternas.
As ruas, ah, as ruas...! Não são mais aquelas, tornaram-se avenidas movimentadas num vai e vem de máquinas modernas. Mas, há sim as pequenas arruelas que se escondem entre as passagens que superam o tempo e resistem ao progresso. São atalhos que secretamente guardam as pequenas casinhas e onde as crianças brincam nas calçadas construindo um pequeno recorte do passado.
Os vitrais são testemunhas dos estilingues com as suas pedras certeiras e hoje sentem saudade das algazarras daqueles moleques que desafiavam o rosto sisudo do padre da igrejinha. A calçada tomou forma na rua que um dia não passava de um projeto e que hoje se tornou uma quase futura avenida do bairro. Fieis ao seu destino, as árvores, ainda fazem brotar em seus galhos as flores em tons amarelos que alegram as almas que transitam pelas gélidas manhas de inverno.
Em passos lentos ando pelas ruas de meu bairro guardando em meu coração os registros do passado e as imagens do presente porque ele é uma doce mistura do novo e do velho, da origem serena e da existência agitada, da labuta pelo sustento e da vida em busca de poesia...

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