GOSTO DO MEU BAIRRO...

Gosto do meu bairro...

Gilberto B. da Cunha

Psicólogo CRP 07/21456


Gosto tanto do meu bairro que quando os amigos vêm me visitar eu mesmo gosto de apresentá-lo. Evidente que eu não só apresento as colinas como conto a magia que elas trazem para as pessoas que residem aqui. Conto também as lembranças fortes que ela imprime na alma de quem um dia residiu neste lugar. Gosto de falar da igrejinha da Saúde e do quanto sua torre imponente é testemunha da história deste lugar. Falo também da Igreja Anglicana e dos missionários americanos que aqui vieram para evangelizar o povo. Que trabalho lindo eles fizeram.

Gosto demais do meu bairro que eu mesmo conto a sua história quando os meus amigos aparecem por aqui. Falo das ruazinhas de antigamente sempre cheias de acácias. Descrevo com alegria as pessoas que amaram este lugar e que por aqui estudaram ou que simplesmente vieram em busca dos afetos de suas amadas. Um dia me contaram que este lugar era cheio de moças lindas e graciosas. Gosto de ver aquele armazém centenário numa das esquinas da avenida, foi um dos primeiros armazéns do bairro. Aquele prédio é um monumento de lembranças.

Eu me sinto adotado pelo meu bairro, acho que ele tem amor suficiente para os que nasceram aqui e pelos que escolheram viver nele. Eu amo o meu bairro e por isso procuro saber tudo sobre ele. Quando me sento num dos bancos da Praça eu fico pensando naquele casal de jovens que na década de cinquenta se enamoraram e ali juraram ser um do outro para sempre. Gosto de contar que por aqui viveu e estudou o nosso grande escritor Érico e que com maestria escreveu sobre Teresópolis às sombras de suas acácias-mimosas...

Um dia vou mostrar o meu caderno com os textos que escrevo sobre o meu bairro, que já foi de tanta gente e que hoje eu divido com tantos amigos. Não quero que meu bairro fique sem me contar nada de sua história, de sua vida e dos segredos que se escondem nas brisas misteriosas que batem à minha janela. Quero saber tudo do meu bairro para que os meus amigos entendam que não existe sentimento mais triste do que aquele que as ruas, os prédios, as árvores e as pessoas não nos contam. Os lugares que amamos não podem passar despercebidos aos nossos olhos. Viver num lugar que não conhecemos dói na alma...

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