Ainda sobre o tu e o senhor...
Psicólogo CRP 07/21456
Sobre o uso do tu e do senhor (ty
e vy) paira um universo de intenções, de educação, de cultura e do modo
relacional entre as pessoas. Pode também mostrar uma questão afetiva próxima ou
distante. No caso de Andrei, um jornalista americano, mas com parentes em
Moscou, encontramos muitos episódios em que ele se depara com a importância do
vy e do ty, algo que os russos consideram importantes nas suas relações. O uso
do pronome pode acusar o modo como colocamos a vida das pessoas em nossas
vidas. Nem sempre as pessoas aceitam o modo como nos dirigimos a elas, talvez
fosse chato perguntar como elas gostariam de ser chamadas.
Quando menino, um vizinho nos ensinava que as
senhoras casadas deveriam sempre ser tratadas como senhoras, mas as mocinhas
poderíamos chamar de tu. Era o seu João, um senhor muito interessado na boa
educação dos filhos e dos filhos de seus vizinhos. Uma lição que sempre me fez bem,
as deferências nos colocam no nosso devido lugar.
Voltando ao livro! (Página 100):
Andrei se encontra pela primeira vez com um grupo de amigos, estão num bar a
beber uma taça de Grenach. “Eu não sabia se devia tratá-los por ty ou vy”,
pensava Andrei. No final do encontro, Elena diz: “Andrei, não precisa falar vy
para todo mundo, faz você parecer retardado”... Nas próximas páginas talvez o autor
diga como resolveu essa questão, afinal viver na Rússia é se deparar com uma cultura
diferente. O certo é que nas relações temos de cuidar com a distância: se longe
demais ela esfria, perto demais ela queima.
(08/01/2023)

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