Seria eu um existencialista?

            Gilberto B. da Cunha
            Psicólogo CRP 07/21456

             Eu era fissurado nos livros de Jean-Paul Sartre. Os seus questionamentos da sociedade e um inefável desejo de liberdade o fazia um grande filósofo dos anos sessenta. É claro que a sua amada Simone de Beauvoir também me encantava com o seu grito de liberdade para as mulheres.

        Eu li, nos tempos da Faculdade de Filosofia, “O ser e o nada” de Jean-Paul, enquanto muitos, e essa era a ênfase da faculdade, liam Karl Marx, uma minoria tentava explicar os anseios pela liberdade e pensar a necessidade do amar. Era o tempo de buscar o direito de amar e a liberdade que os poderosos nos roubavam. Não chegávamos a ser subversivos, mas não éramos vistos com os “bons olhos” daqueles que buscavam outras formas de olhar o mundo.

       O tempo passou e a filosofia foi buscando outras ênfases, o tempo se encarrega de produzir a dialética. Mas, vai e volta eu me deparo com livros e pensamentos existencialistas de Jean-Paul Sartre. Os livros são esses anjos que trazem em suas páginas registros de nossos pensamentos, desejos e sonhos. E para os mais exigentes, são uma fonte que contrastam com os mistérios de seus juízos.

        O filósofo Jean-Paul Sartre escreveu muito, foi um homem que refletiu sobre as questões do nosso existir. Talvez as furtivas idas a biblioteca de seu pai o tenha feito um ávido leitor e um exímio escritor, é esse o conteúdo do seu livro de memórias “As Palavras”. Ele passava horas revirando os livros nas prateleiras e descobrindo as necessidades, algumas insondáveis, que existem no coração humano. Mas, nenhum texto é mais existencialista do que o segundo capítulo de “O ser e nada”. É uma corajosa investida a psique humana, um terreno fértil e perigoso, mas, ao mesmo tempo, encantador e brilhante e os psicólogos o conhecem bem, mas sempre o tratam com cuidado e atenção.

        O fato é que o desejo de amar é algo intrínseco na alma humana, e sem o amor nos tornamos amputados, mutilados e sem sentido de viver. Os existencialistas pensam sobre essa face valiosa da vida humana. Foram nas aulas da faculdade de psicologia, com a inesquecível professora Carlota, que retomei os meus contatos com Jean-Paul Sartre e a sua turma. Aqueles anos sessenta precisavam pensar e refletir sobre o amor. Não obstante aos exageros foi um tempo maravilhoso no quesito amor e não há algo mais forte do que o amor...

                                                                                                                                         (5/1/2023)                                 

 


Nenhum comentário:

Imagens de tema por Storman