Seria eu um existencialista?
Psicólogo CRP 07/21456
Eu li, nos tempos da Faculdade de Filosofia, “O ser e o nada” de
Jean-Paul, enquanto muitos, e essa era a ênfase da faculdade, liam Karl Marx,
uma minoria tentava explicar os anseios pela liberdade e pensar a necessidade do
amar. Era o tempo de buscar o direito de amar e a liberdade que os poderosos
nos roubavam. Não chegávamos a ser subversivos, mas não éramos vistos com os “bons
olhos” daqueles que buscavam outras formas de olhar o mundo.
O tempo passou e a filosofia foi buscando outras ênfases, o tempo se
encarrega de produzir a dialética. Mas, vai e volta eu me deparo com livros e
pensamentos existencialistas de Jean-Paul Sartre. Os livros são esses anjos que
trazem em suas páginas registros de nossos pensamentos, desejos e sonhos. E
para os mais exigentes, são uma fonte que contrastam com os mistérios de seus juízos.
O filósofo Jean-Paul Sartre escreveu muito, foi um homem que refletiu sobre
as questões do nosso existir. Talvez as furtivas idas a biblioteca de seu pai o
tenha feito um ávido leitor e um exímio escritor, é esse o conteúdo do seu
livro de memórias “As Palavras”. Ele passava horas revirando os livros nas
prateleiras e descobrindo as necessidades, algumas insondáveis, que existem no
coração humano. Mas, nenhum texto é mais existencialista do que o segundo
capítulo de “O ser e nada”. É uma corajosa investida a psique humana, um
terreno fértil e perigoso, mas, ao mesmo tempo, encantador e brilhante e os
psicólogos o conhecem bem, mas sempre o tratam com cuidado e atenção.
O fato é que o desejo de amar é algo intrínseco na alma humana, e sem o
amor nos tornamos amputados, mutilados e sem sentido de viver. Os
existencialistas pensam sobre essa face valiosa da vida humana. Foram nas aulas
da faculdade de psicologia, com a inesquecível professora Carlota, que retomei
os meus contatos com Jean-Paul Sartre e a sua turma. Aqueles anos sessenta precisavam
pensar e refletir sobre o amor. Não obstante aos exageros foi um tempo
maravilhoso no quesito amor e não há algo mais forte do que o amor...
(5/1/2023)
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