Falando da vida...

       Gilberto B. da Cunha 
        Psicólogo CRP 07/21456
    
    Não sei se o correto seria “falando da vida” ou “falando sobre a vida”. Agora, exatamente agora, não tenho tempo para pesquisar. Vamos adiante, então. Hoje esteve em minha casa um amigo, nós já nos conhecemos a mais de cinquenta anos. A conversa de duas horas percorreu um tempo de meio século. Foi uma maravilha!!!
    Aos poucos fomos nos situando no nosso percurso de vida, longo, aliás!!! Mas, tudo situado. E, logo depois, surgiram semblantes pedidos em nossas memórias. E fulano, onde está? E ciclano continua por aqui? E o Waldemar? E o Nelson? E a Patrícia? E o Irmão que organizava os torneios de futebol. E o Juca que era o “drum majors” da banda marcial da escola? Ele era o líder que mantinha o ritmo e a batida do tempo com o uso de seu bastão. Era o Juca, que também era o treinador da escolinha de futebol.
    A nossa escola tinha a fama de ser uma das melhores escolas, a disciplina era valorizada e os estudos eram exigentes. Lembramos das aulas de caligrafia e dos desenhos livres e desenhos geométricos, das aulas de mecânica, de eletricidade e de tipografia. E quantas outras lembranças da escola...
    E quando o assunto foi pessoas? Nossa, a lembrança correu solta, livre pelos campos da memória. Muita gente! Muitas histórias! E as lembranças da cidade e de suas ruas de chão? E os nossos clubes? E as fábricas? E nós? Ainda que eu fosse um menino despertando para a adolescência, eu já era um grande observador da vida e de tudo que estivesse ao meu alcance a minha mente “fotografava”. Tempos bons aqueles!
    O meu amigo, um grande interlocutor, passara a sua vida andando de um lado para o outro. Aposentou-se depois de trinta anos em sala de aula. Sempre gostou de ensinar a História do Brasil. E, com uma invejável memória, ela recordava de muitos fatos de muita gente. Ele completou 80 anos nesse abril. E com que alegria ele falava da sua infância à beira do Rio Uruguai e, com certa tristeza, recordou aquele dia, quando saiu da casa de seus pais para ingressar na vida religiosa.
    A nossa conversa teve o sabor daquelas tardes de domingo quando íamos ao Cine Imperial para assistir dois filmes, a famosa sessão dupla. Que bela conversa eu tive com o meu amigo que hoje é avô e que chora a morte de sua amada esposa. Que bela manhã eu tive aqui nas paragens do Jardim Itu.
 
 
 

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