Quase fui um canoense
Era o ano de
1965 e meu pai vivia um momento muito difícil da sua vida. Ele era ainda jovem,
mas um acidente na empresa deixou a sua mão direita lesada, um acidente grave.
Eu lembro quando ele chegou em casa, depois de ter passado horas no Hospital de
Pronto Socorro. Nas semanas seguintes, ele gemia de dor. Permaneceu “encostado”
até que um dia resolveram aposentá-lo.
Um dia fomos
comunicados que mudaríamos de cidade, compraríamos uma outra casa, havia uma
reserva para isso. O meu pai e a minha mãe sempre levaram as economias na ponta
do lápis. Chegou a hora de procurar uma casa nova e surgiu uma oportunidade de
uma linda propriedade no Bairro Harmonia, em Canoas. Numa tarde fomos visitar a
nossa futura casa.
Era um pátio
enorme, muitas árvores frutíferas e um poço com água gelada e límpida. Não
havia calçamento e nem rua pavimentada, era um lugar na cidade que tinha a cara
do interior. A casa era linda, amarela e as janelas e portas marrom. Havia um
jardim lindo na frente da casa e o pátio era muito grande. Eu, dentro dos meus
sentimentos infantis, aprovei o lugar. Aquela casa era tudo o que eu sonhava,
espaço e árvores, um pequeno campo de futebol e muita natureza, era tudo o que
eu queria.
No fim, acabamos
comprando outra casa, na cidade vizinha. Um lugar igualmente lindo, um chalé
azul e um pátio surtido de árvores frutíferas. Era um lugar bonito e alto e com
um enorme pé de ipê amarelo em frente à casa. E foi para esse lugar que mudamos
com os nossos móveis e em pouco tempo tínhamos o cachorro e o gato. Um dia
escutei que as razões para a compra da casa eram a parada de ônibus, a escola
próxima e a pouca distância da casa de meus avós.
Esses dias,
sonhei com aquela casa amarela no Bairro Harmonia. Eu pensei, por pouco eu não
me tornei um cidadão canoense. Mas, aquela casa passou por mim e logo se foi,
passou como um foguete pela minha vida, mas deixou uma gostosa lembrança. Uma
casa amarela passou por mim...

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