O Grito Mata!

   Gilberto B. da Cunha 
    Psicólogo CRP 07/21456
    Espantado, leio o que o escritor escreve em sua crônica. Diz ele que nas Ilhas Salomão, os nativos descobriram um jeito inusitado de derrubar árvores. Eles não usam machados ou qualquer outro tipo de ferramenta, simplesmente passam dias e meses gritando ao redor do tronco da árvore. A árvore morre e cai. O método, nunca falha.
    O autor definiu essa estratégia de pitoresca e disse que os nativos são inocentes, ingênuos e primitivos. Talvez porque não tenham descoberto as vantagens da tecnologia e da ciência. Os nativos dizem que os gritos matam o espirito da árvore. Fico pensando no mundo que vivemos, cheio de tecnologia e de ciência e cada vez mais barulhento. E as pessoas cada vez mais gritando uma com as outras.
    Tenho percebido que os meus cachorros não gostam que eu grite com eles, se assustam e se escondem. Sentem-se agredidos com os meus gritos. As pessoas não gostam quando altero a voz para me fazer entender. As plantas de casa ficam mais floridas em lugares silenciosos. Quando acordo com barulhos, o meu dia não é legal. Preciso acordar com a sonoridade dos pássaros, com o pingo da chuva. Mas não com gritos.
    Entrei em acordo com os meus cachorros e gatos, não grito mais com eles. Já fiz um acordo tácito comigo: vou mudar o tom da voz. Não quero matar o espirito que precisa de ruídos leves e silenciosos para não fugir de nossos corações. As pessoas, os animais e as árvores são sensíveis aos gritos. Temos muita gente gritando com Deus e o mundo. O grito afugenta os nossos anjos. Como disse o autor da crônica: “Com paus e pedras podemos partir ossos, mas com os gritos partimos corações”.
 

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