LAGOS DA LOUCURA...

Lagos da loucura...

Gilberto B. da Cunha

Psicólogo CRP 07/21456

Conheci Leonardo num desse muitos eventos de psicologia. Era um jovem psicólogo, recém-formado, e que começava a sua carreira profissional numa grande instituição. A sensibilidade dele era impressionante e o seu amor pela poesia era fantástico. Estava no evento para lançar o seu primeiro livro, escrito a muitas mãos. Eu me aproximei dele para que autografasse a sua obra e pude ver a sua sensibilidade. Era um homem que olhava pelo lado de dentro. 

Depois de muitos anos continuo lendo o seu livro, a sua mensagem é sempre atual. Quando terminei de ler a sua obra eu pude entender o seu espirito de paz, de bondade, de potência. Ele conseguira mergulhar no silêncio profundo das almas que convivem com a loucura que invade muitas vidas. Diz um poeta, talvez tenha sido um louco a dizer, que de poeta e de louco todos temos um pouco. Às vezes, mais loucura ou mais poesia, quando não em partes iguais. 

Quando me vejo conversando com os meus cachorros, com o meu gato ou com os passarinhos que cismaram frequentar o meu pequeno jardim eu me pergunto desconfiado: “como entro nessas vidas?”. A resposta é uma só, pela porta de minha loucura. E, pasmo, descubro que poucos humanos são capazes de perdoar a minha loucura. No entanto, os animais são almas bondosas que as acolhem. 

E quem mais é benevolente com as minhas loucuras? Ah, alegre descubro que a literatura é a que mais me faz feliz com as letras e frases que brotam da alma doída. Ela, as palavras que se fazem literatura são realidades possíveis o tempo todo. Mas há mais, as flores também beijam a minha loucura e derramam sobre elas o seu perfume, o mesmo que dá aos doutos que controlam a vida. 

Leio o que Leonardo colheu com amor numa casa de loucos e me identifico com cada momento de loucura daqueles que dizem que são fora da vida, habitantes do silêncio. Então eu me lembro de uma canção que dança em minha alma, ela que me faz cantar: “Como se aninham os dias...”, sim eles se acomodam nas palavras que digito, sem sossego, elas que se inscrevem pelas extremidades de meus dedos... 

Um dia eu conheci Leonardo que amava a loucura, que amava os loucos e que me faz amar a minha loucura...

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