NA VERDADE...
Na verdade...
Gilberto B. da Cunha
Psicologo CRP 07/456
Uma pessoa que conhecemos tem uma forma original de complementar as nossas conversas. Quando é a sua vez de falar sempre começa com a sugestiva expressão: “na verdade...”. Sentimo-nos entre dois sentimentos todas as vezes que essa pessoa faz as suas interferências. Uma delas é a de que ela é quem tem a verdade e o segundo sentimento é que transitamos o tempo todo pelos caminhos da mentira.
A última palavra é sempre dessa pessoa: “na verdade...” e assim ela transcorre o seu discurso que embora possa parecer democrático, não é. Pois se existe uma verdade a ser dita essa verdade é dita por ela. Ela tem a verdade e anuncia essa verdade quando deixa claro que “na verdade...”, desconsiderando todos os argumentos ditos antes. Estamos fartos de escutar esse peremptório mantra em nossas conversas.
Penso que há ditos que denuncia qual é mesmo a nossa intenção nas relações. Há diálogos infrutíferos quando as outras pessoas deixam escapar certos mantras que lhes servem de proteção contra todos os argumentos. Quando alguém diz “na verdade...” que palavra ela está dando as demais palavras postas no diálogo? Qual a mensagem que ela passa?
Há pessoas que pensam que a última palavra é delas e que são de seus lábios que a verdade é anunciada. Pessoas assim desanimam e nos deixam sem ação e neutralizam todas as formas de diálogo. Porque diálogo são ideias compartilhadas, somadas e complementadas e quando alguém se anuncia com “na verdade...” é sinal de que não há outra ideia senão a dele, as outras são apenas falácias...
Outro amigo nosso, um grande psicólogo, um dia falou que geralmente essas pessoas têm medo da verdade, por isso sempre tratam o que dizem como verdade porque não suportariam a dor de descobrir a sua verdade, aquele que está no mais profundo do seu ser. Mas esse é o outro assunto!

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