APLAUSOS À VIDA!
Aplausos à vida!
Gilberto B. da Cunha
Psicologo CRP 07/21456
Ainda não são sabemos as razões que levou o jovem de vinte anos a sequestrar o ônibus na Ponte Rio-Niterói. A priori, costumamos dizer, nada justifica a sua atitude. Porém, é justo que nos esforcemos para saber o que o levou a essa infeliz ação. Creio que as pessoas competentes estão trabalhando com todas as hipóteses possíveis. Há uma história humana que o levou a esse ato desumano.
Louváveis todas as formas que buscaram salvar as vidas dos passageiros, notáveis todas as ações que salvam vidas, que protegem os inocentes e que preservam a segurança. Nesse ângulo estamos todos de parabéns, lutamos pela vida e a defendemos quando ameaçada. Que bom que criamos modos de proteger a vida.
No entanto, vendo as cenas desse fato sob outro ângulo, quando já estava encerrado o episódio, os aplausos à morte nos abrem outro horizonte de reflexão. Aplaudir a vida sim, sempre. Aplaudir a morte, nunca. Há razões que podem levar um ser humano a agir miseravelmente e temos o direito de nos defender dessa insanidade, mas aplaudir a sua morte é agir também miseravelmente.
Sou a favor da vida e acredito que esse é o bem maior que temos e não há vida mais valiosa do que a outra, são vidas com as suas histórias, com as suas dores e com as suas possibilidades e circunstâncias. E, mesmo que a escolha possa contrariar toda a iniciativa à vida, nada é maior do que a vida, inclusive a daquele que escolheu a morte.
Que o fato da Ponte Rio-Niterói não termine com os aplausos de uma morte, mas que seja também a possibilidade de refletir sobre a realidade que leva um jovem a desafiar a sua vida e a vida dos outros. Que não sejamos vaidosos diante do êxito que temos com as armas e com os projéteis que matam. Que os nossos aplausos sejam para a vida, não para a morte. Sejamos a favor da vida, essa vida que aquele jovem, por razões que ainda não sabemos, não soube aplaudir...

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