Sobre o ato de escrever...

Gilberto B. da Cunha

 

Não é a primeira vez que escrevo sobre o “ato de escrever”, sobre as razões de eu escrever. Não são poucas as vezes que me pergunto as razões de escrever textos, muitos textos. Creio que além de uma profunda necessidade de escrever, eu me sinto que posso partilhar com as pessoas o que penso e o que sinto. Algum traço de vaidade em escrever? Já pensei nisso. Cheguei à conclusão que escrever e publicar o que escrevo é um presente que ofereço aos que gostam de ler. Também é uma necessidade de consultar o meu coração e tornar claro a “mim mesmo” o que se passa dentro dele. E sempre me surpreendo com o que sou capaz de escrever, há tantas coisas que sobrevivem e que o tempo não “varreu de mim”...

          Encontro no meu ato de escrever a forma simplificada de deixar mais compreensível os meus sentimentos e quando escrevo eu tenho a oportunidade de acolher melhor o que penso e o que sinto. Depois que tomei a decisão de escrever eu me deparei com os meus sentimentos, como se eles refletissem num espelho a minha frente. Escrever passou a ser um confronto comigo mesmo, uma parte do meu ser que está escondida em algum lugar secreto. Como dizia um poeta: “Escrever é uma relação íntima com a minha verdade, com o meu desconhecido”, eu diria, escrever é dar-se a oportunidade de descobrir os meus dons, o melhor que existe em mim... e o melhor que posso oferecer ao outro...      

Doutro lado, leio o que me diz uma escritora que ao ler, diz ela: “Escrever é procurar entender, compreender, é procurar reproduzir, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada” (Clarice Lispector). Ainda tenho muito a escrever, sobre tudo! Mas, nunca perder a consciência da vontade de escrever, mesmo sabendo que escrever seja uma forma de reproduzir o irreproduzível...

 

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