Futebol
Psicólogo CRP 07/21456
No meu tempo, todo o menino
sonhava em jogar futebol. Era comum ver uma gurizada jogar futebol nas calçadas
ou até mesmo no meio da rua. No meu bairro, tinha um grupo que, nas tardes de
sábado, reunia-se num campinho de futebol a seis quadras de minha casa. Eu
fazia parte desse grupo.
Um dia, fui convidado a fazer um
teste num dos melhores times da cidade, lá havia muita organização, tinha um
estádio com pavilhão e túnel que dava acesso ao campo. Todos os meninos
sonhavam em jogar nesse time. Eu já reunia certos cacoetes de jogador, havia
aprendido olhado os campeonatos de várzea nas tardes de domingo.
Quando me dei por conta já fazia
parte do desejado time, onde muitos meninos desejavam jogar. Algumas razões bem
pontuais me levaram a jogar nesse clube das camisas branco, vermelho e azul.
Tudo conspirava para isso! Primeiro porque jogar futebol era moda naquele
tempo, porque os nossos heróis eram do futebol e porque futebol estava no
sangue. Foram essas as razões pelas quais fui jogar futebol.
Eu não era um daqueles meninos
que foi tentar a sorte no futebol, nunca pensei em viver do esporte. Eu tinha
outros sonhos, mas reconheço o quanto o futebol me ajudou para que eu pudesse
realizar outros sonhos. Um dia, um antigo treinador que acompanhara o meu desenvolvimento
me disse que tinha tudo para jogar futebol. Isso serviu para confirmar o quanto
eu gostava de futebol e o quanto eu tinha aprendido. Fiquei muito grato por
esse reconhecimento, mas o meu coração tinha outros sonhos.
Reconheço que tive muita sorte em
fazer parte daquele que foi um dos maiores times de minha cidade. Eu fui muito
exigido e sei que que fiz o melhor, sem nunca reclamar. Eu sabia que era
preciso muito treino para dar conta quando fosse convocado. Perna esfolada,
cortes nos lábios, feridas nas canelas, hematomas e outros ferimentos eram
consequências do aprendizado, “medalhas” que ficavam na lembrança.
No futebol eu conheci muitas pessoas
e fiz muitos amigos e aprendi lições que me ajudam a encarar a vida. Quando penso
que fiz parte do melhor time de minha cidade eu reconheço que não foi por algum
talento especial, muito provavelmente, alguma habilidade de liderança. Mas, há
uma figura humana que devo eterna gratidão: Adão Pereira, meu treinador!
(11/01/2023)

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