PESSOAS

             Gilberto B. da Cunha
                Psicólogo CRP 07/21456

            Nos dois últimos livros que li – “Trem para a Ucrânia” e “Um país terrível” – os autores priorizam a vida das pessoas. Tanto num como no outro livro, há situações extremas da vida humana. Em trem para a Ucrânia o autor descreve o pavor das pessoas numa guerra inesperada e com consequências terríveis e no “Um país terrível” o autor escreve sobre a situação da Rússia pós-soviética. Em ambos os livros os autores constroem o cenário real, do medo, do pavor... E da esperança!
            Quando eu escrevi o livro “Pessoas”, era a minha forma de descrever uma multidão que entrou em minha vida e que me ensinaram a ver o mundo além do “meu mundo”. Foram muitas pessoas em sessenta três anos. E todas, de alguma forma, às vezes, surgem da minha memória quase intacta. O legal de escrever esse livro foram os diferentes cenários que um dia foram o palco de minha vida.
            Os livros que acabo de ler não seriam ricos em detalhes se não fossem a ação das pessoas diante de seus diversos cenários. Já visitei muitos lugares em que há uma galeria de fotos com pessoas que se tornaram referencias em algum momento da vida e em algum lugar específico. Atrás de cada foto há uma riqueza de acontecimentos que fizeram parte da vida de outras pessoas. É a história que se perpetua...
          Os autores dos últimos livros que li ficarão marcados pelos semblantes que um dia os comoveram a escrever sobre eles. No “Trem para a Ucrânia”, daqui a vinte anos, o autor se perguntará pelo menino escorado na parede, apavorado com as bombas que destruíam a cidade, a moça grávida que alcançou a fronteira para salvar o seu bebê. E quantas perguntas tem em seu coração Keith Gessen que escreveu “Um país terrível”? Onde andará os seus colegas do “Grupo Outubro” que acreditavam num país diferente?
    Não existe algo mais rico em nossas vidas do que as pessoas, elas trazem cenários, fatos e sentimentos que nos impulsionam a sonhar e a escrever. Talvez, por isso, é que sempre existe uma ponta de saudade em nossas tardes de verão... 



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