Grupo de Estudos

             Gilberto B. da Cunha
                Psicólogo CRP 07/21456
 

 

            Dois meses depois da formatura resolvemos criar um grupo de estudos. Movidos pelo desejo de continuar as leituras da faculdade ou algum outro sentimento, criamos o nosso grupo de leituras. A primeira reunião foi para escolher quais autores ou textos de psicologia que abordaríamos nos nossos encontros. Decidimos pelos textos de Freud. Sim, continuaríamos estudando Freud, mesmo depois de tê-lo estudado em quatro ou cinco semestres de graduação.

            Escolhemos rever alguns textos e nos aventurar em outros textos que não tivemos tempo para ler, Freud escreveu muito. Nos encontros vínhamos com os textos lidos, sublinhados e com apontamentos nas margens das páginas. Não queríamos deixar escapar nada. Durante os encontros tínhamos um intervalo para o lanche, quase sempre sanduiche e suco, mas o cafezinho que ficava na garrafa térmica era servido à vontade.

        Foram dois meses de estudo e o grupo terminou! Era Freud demais, era muito tempo nos aventurando sozinhos pelos meandros da psicanalise. Paramos! Não nos vimos mais, cada um seguiu o seu caminho e as suas leituras. Estudar Freud os textos clássicos de Freud é bom, necessário. Mas, deixar de ler os que leram Freud é um erro. Um professor na graduação aconselhou: “Não leiam o que dizem de Freud, leiam Freud”, mas ler só os textos de Freud é fechar-se para outros olhares, para quem leu Freud num lugar diferente do nosso.

           Depois da experiência frustrada do “grupo de estudos”, não frequentei mais nenhum outro grupo. Nos mais de 12 anos, depois da formatura, não deixei de ler textos de psicologia. Sou um aventureiro solitário nas minhas leituras e procuro ler textos de muitos autores. Ultimamente ando lendo Viktor E. Frankl, depois de ter passado por outros autores. Hoje eu sei que os grupos de estudos devem ter projetos e supervisores para que os assuntos não venham a servir a alguém em particular do grupo. Mas, tanto quanto sei, há muitos grupos que duram pouco.

          No livro “Um país terrível”, que ando lendo, acompanho a iniciativa de alguns jovens em Moscou que iniciaram um grupo de estudo semanais sobre Karl Marx. Ainda não sei o futuro do grupo, mas algo me diz que não durará muito tempo. Há alguém que quer fazer do grupo uma cobaia para seus interesses pessoais. Vou descobrir nas páginas seguintes o que acontecerá. Mas, isso faz parte das minhas aventuras solitárias pelos livros que me dizem mais do que eu preciso...

                                                                                                                              (18/01/2023) 

                                                                                      


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