A ciência da fotografia

   Gilberto B. da Cunha 
    Psicólogo CRP 07/21456

 Eu esperava com expectativa as aulas de fotografia, elas me traziam muita alegria. O professor ensinava mais do os truques que podemos utilizar para captar as imagens, ele era pontual na sua análise da câmera e no modo como utilizá-la. Era um exímio conhecedor das técnicas de laboratório, mas preferia que nós tirássemos da máquina o mínimo e o máximo de nós. Quanto melhor a nossa visão da imagem, menos trabalho na oficina de revelação.

    Antes de sairmos nas ruas para fotografar, evitávamos a imprevisibilidade, não se fotografa sempre ao ocaso. Era preciso ter um tema, um objetivo, uma intenção. Por isso, antes de sair à campo, apresentávamos ao nosso professor um pequeno projeto com os nossos projetos. Era algo fantástico apresentá-lo aos colegas antes e depois do trabalho de rua. Haviam surpresas entre a nossa intenção e o que a máquina nos apresentava.

    Era nítido também as diferenças entre nós, os “fotógrafos”, as nossas preferências eram nítidas e podíamos classificá-las entre rostos, paisagens, prédios, ruas, árvores, crianças, idosos, rios... E quando voltávamos com o nosso projeto materializado, podíamos ver em que lugar do mundo estava o nosso coração, o nosso interesse. E a máquina confirmava o nosso jeito de ver o mundo, e nos surpreendíamos com os resultados.

    Ainda hoje preservo nos meus arquivos algumas fotos que fiz naquele tempo de jornalismo. O meu projeto sobre “A loucura” foi um dos mais surpreendentes. Ele passou por várias etapas. Pesquisa sobre a loucura, leituras e entrevistas, visitas a lugares e expressões das pessoas. Depois, então as sessões das fotos e, por fim, a projeção das fotos e a apreciação dos colegas. Uma aula fascinante.

    A pouco chegou em minhas mãos uma máquina ZENIT, 12xp de fabricação russa, ganhei de um antigo fotógrafo que se retirou para um lugar deserto. Estou estudando o meu presente e em breve pretendo fotografar com ela. Muitas coisas me encantam na fotografia, mas hoje eu destacaria as diversas possibilidades que a tecnologia trouxe, a absurda temporalidade da fotografia na mídia (elas duram em média duas horas) e a possiblidade de manter o nosso “artístico” porque fotografar é como pintar um quadro, ela passa pelo nosso coração.

Nenhum comentário:

Imagens de tema por Storman