PAIXÃO DE ENSINAR
Psicólogo CRP 07/21456
Conversei com Dona Maria,
ela tem oitenta e seis anos. Sempre quis ser professora e com a ajuda da mãe
conseguiu se formar na Escola Normal. Casou-se com João Arthur e tiveram dois
filhos, ambos alfabetizados por ela. Faltou pouco para concluir a faculdade,
mas foi uma escolha cuidar dos filhos. Mesmo assim, viajava duas horas
diariamente para dar aulas na cidade vizinha.
Hoje, acompanha os estudos dos
bisnetos, alfabetizou dois deles. Quem conversa com Dona Maria logo percebe que
ela foi professora, tem os cacoetes de uma educadora. E, pasmem, conhece de
Paulo Freire à Maria Montessori. E sabe muito de Anísio Teixeira e Lev
Vygotsky. Se vê que ela estudou muito.
Quem conheceu as meninas da Escola Normal, sabe das exigências que elas deram
conta.
As professoras da Escola Normal
são firmes, conhecem a alma da criança, os desejos que precisam ser trabalhados
e os hábitos que precisam ser praticados. Vi isso, enquanto falava com Dona
Maria que alfabetizou os filhos e os netos e agora os bisnetos. Foi uma aula a
nossa conversa. Antes de ir embora ela olhou pela vidraça da janela e falou com
toda a tristeza de sua alma: “Ninguém quer saber mais de história. Quem somos?
Ninguém quer saber da Terra, dos rios e dos relevos. Onde vivemos? Não
interessa mais perscrutar a alma humana. A espiritualidade não interessa
mais...”
Quando vi Dona Maria cruzar o
portão eu pensei: “Como precisamos de professores, de bons professores. Aqueles
que nos ensinam com paixão. Os que nos ensinam quem somos, onde vivemos e para
onde vamos..."...

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