Meus castelos...

         Gilberto B. da Cunha 
         Psicólogo CRP 07/21456 

    Na escola tínhamos uma disciplina de desenho! Hoje sou capaz de entender o quanto ela foi importante. Tínhamos aulas de desenhos variados, uma delas era a reprodução de uma gravura, que era distribuída antes de abrirmos os nossos enormes cadernos de desenho, havia aulas que tínhamos de desenhar o rosto do nosso colega, outras aulas eram as de “linhas retas”, tínhamos de usar a régua, compasso e o triângulo.

    Eu costumava ter dois cadernos, um era usado para os meus desenhos livres, que sempre eram preenchidos com castelos. Eu costumava desenhar castelos e sonhava com eles. Eu costumava dividir os meus desenhos com um colega que também amava desenhar. Geralmente os meus desenhos eram ricos em detalhes, havia muito gramado, muitas árvores, muitos lagos e castelos enormes.

    A parte mais cuidadosa era colorir os desenhos, dar a cor certa para as janelas, as portas e paredes. Tudo devia estar devidamente contornado e as cores deviam harmonizar o panorama. Quando eu cansava de fazer “contas”, eu puxava o meu caderno e tascava algumas linhas que depois se tornavam mais um desenho. E assim eu gastava meus lápis pretos de número dois e os coloridos que estavam sempre bem organizados na caixa vermelha da Faber-Castell.

    Ainda hoje eu tenho o hábito de desenhar os meus castelos, já não desenho com tanta frequência, mas continuo rabiscando alguns desenhos e costumo ter alguns lápis coloridos para enfeitar os castelos que surgem de minhas lembranças. Eu admito que me faz um bem enorme desenhar e não vejo nisso uma forma de perder tempo, desenhar é voltar a sonhar, como naqueles tempos em que eu amava os meus castelos...


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