Meus castelos...
Na escola tínhamos uma disciplina
de desenho! Hoje sou capaz de entender o quanto ela foi importante. Tínhamos
aulas de desenhos variados, uma delas era a reprodução de uma gravura, que era
distribuída antes de abrirmos os nossos enormes cadernos de desenho, havia
aulas que tínhamos de desenhar o rosto do nosso colega, outras aulas eram as de
“linhas retas”, tínhamos de usar a régua, compasso e o triângulo.
Eu costumava ter dois cadernos,
um era usado para os meus desenhos livres, que sempre eram preenchidos com
castelos. Eu costumava desenhar castelos e sonhava com eles. Eu costumava
dividir os meus desenhos com um colega que também amava desenhar. Geralmente os
meus desenhos eram ricos em detalhes, havia muito gramado, muitas árvores,
muitos lagos e castelos enormes.
A parte mais cuidadosa era
colorir os desenhos, dar a cor certa para as janelas, as portas e paredes. Tudo
devia estar devidamente contornado e as cores deviam harmonizar o panorama.
Quando eu cansava de fazer “contas”, eu puxava o meu caderno e tascava algumas
linhas que depois se tornavam mais um desenho. E assim eu gastava meus lápis
pretos de número dois e os coloridos que estavam sempre bem organizados na
caixa vermelha da Faber-Castell.
Ainda hoje eu tenho o hábito de
desenhar os meus castelos, já não desenho com tanta frequência, mas continuo
rabiscando alguns desenhos e costumo ter alguns lápis coloridos para enfeitar
os castelos que surgem de minhas lembranças. Eu admito que me faz um bem enorme
desenhar e não vejo nisso uma forma de perder tempo, desenhar é voltar a
sonhar, como naqueles tempos em que eu amava os meus castelos...

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