OUTROS DESENHOS...

 Gilberto B. da Cunha 
 Psicologo CRP 07/21456

    Justiça seja feita! Quando, por volta de oito anos, eu também gostava de desenhar navios e mares, aviões e céu, trens e trilhos. E posso descrever, ainda muitos daqueles desenhos. Lembro que quando fizemos uma viagem de trem para Bagé, foram horas percorrendo os trilhos, e muitas ideias para desenhar. Quem não se apaixona pelos trilhos e a sua linha reta de quilômetros? Quando ele atravessa as imensas pontes sobre algum precipício, como não ser tomado pelo medo? Ainda hoje os trens me cativam. Continuam sendo um enigma.
    E os navios que muitas vezes eu pude ver atravessando o Rio Guaíba? E aqueles atracados no pequeno cais do Rio Gravataí? Para onde iriam? Qual destino pretendiam chegar logo depois da âncora ser suspendida? Que rios eles navegariam? Tempestades em alto mar? E lá se ia o navio, e o capitão atendo no timão. Quantos sonhos eu tinha nessa hora. E quanta inspiração para levar às páginas do meu caderno.
    E os aviões que rasgavam os céus da minha querida cidade? Quanta emoção quando faziam manobras arriscadas, para depois desceram na pista da Base Área. E os aviões do Aeroporto Salgado Filho? Pássaros gigantes que atravessam o mundo. Muitos passeios escolares tinham o destino do aeroporto, para vislumbrarmos as conquistas do espaço. Era o tempo em que as viagens espaciais dominavam a nossa imaginação.
    As folhas dos meus cadernos de desenhos são o registro de um tempo que marcou a minha vida. Um tempo em que trens, aviões e navios se desenhavam na minha alma e ainda hoje continuam fazendo parte de minhas lembranças. Talvez, eles representam simbolicamente o meu destino, o meu desejo de alcançar lugar que secretamente guardo em meu coração...


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