Vida que segue...

    Gilberto B. da Cunha 
    Psicólogo CRP 07/ 21456

    Tentei entender o significado do “vida que segue”, proferido pelo senhor que quis encerrar o assunto. Referia-se ao tempo prolongado do luto. Para o senhor, no seu tempo, era hora de continuar a vida e parar com o sofrimento. Para ele, era um definitivo “chega”. Não era diretamente envolvido, não era o amigo, não estava com o seu coração enredado. Mas foi da sua boca que saiu a sentença final!
    Fiquei pensando em outros adágios que costumamos proferir na vida. Todos carregados de equívocos, mas se tornam saídas fáceis. Há os que pensam que é o seu tempo que dita o começo e o término das coisas. E costumam expressar os seus ditames através de suas máximas, que saem como sentenças fulminantes.
    Não, a vida não segue, ela para aqui, porque temos o nosso tempo de elaborar o impacto que a vida causa. Não, a vida não segue e temos o direito de travá-la pelo tempo que for necessário para curar o nosso coração. Não a vida não segue, enquanto não acharmos o momento certo. Se quiser siga a sua, mas a seguiremos no nosso tempo. Não há razões para que todos sigam ao mesmo tempo, podemos parar, descansar, nos refazer, e continuarmos depois.
    O tempo pode ser diferente, há um tempo para cada um, cada um no seu tempo. E foi assim que passamos aquela manhã discutindo sobre o tempo, sobre o luto e sobre a vida, a vida no tempo e o tempo da vida.

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