Luiz Fernando Veríssimo
Dividi a cidade de Porto Alegre
com os Veríssimos, antes com o Érico e depois com o Luiz. Os Veríssimos andaram
por lugares que eu andava, frequentamos os mesmos restaurantes, estivemos nas
mesmas bibliotecas, passeamos nas mesmas praças. Muitos lugares da cidade
falavam de Érico e de Luiz, em épocas diferentes. Eles trabalharam duro para
realizarem os seus desejos, tanto o filho quanto o pai gostavam de viajar e as
alegrias de Torres, de São Leopoldo ou de Gramado eram igualmente divididas com
as lembranças das ruas de Paris ou de Roma.
Conheci Érico na sua literatura,
a sua obra era ele mesmo ou aqueles que faziam parte de sua vida. O Luiz
despertou sorrisos largos com o seu “Analista de Bagé” e desde então as suas
histórias fazem parte dos meus dias, manhã, tarde ou noite, sempre um pouco do
pai e do filho. O filho chamava o Érico, o escritor famoso, de pai e o pai
chamava o Luiz de garoto tímido. Érico morreu num sábado e Luiz também e no
mesmo lugar. E ambos deixaram igual saudade no coração dos leitores.
Sobre religião eu soube que Érico
amava a liturgia e as igrejas, mas não divulgava mais do que isso sobre a sua
religiosidade e o Filho Luiz se declarava ateu, mas esperava que ter uma boa
surpresa depois da morte. Ele não se fechava a misericórdia, a sua humildade
diante da grandeza da vida não lhe autorizava e ele respeitava o mistério, mais
do isso, ele esperava pela surpresa, aquela que nos confere o equívoco.
Tanto Scliar que era de Porto
Alegre e que escrevia sobre tudo, quanto Luiz que também era de Porto Alegre e
que escrevia sobre tudo, somos devidamente informados de que a vida é também
pode ser plena em nossa cidade. Atribuo a humildade de ambos, mas sobretudo ao
espírito de timidez que a forma mais segura de escrever o que a vida vem trazendo
no tempo, desde a época de Érico, passando por Luiz, Moacir, Caio e tantos
outros...

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