Panela mágica

 

    Gilberto B. da Cunha 
    Psicólogo CRP 07/21456 

    Eu já havia presenciado a revolucionária invenção do fogão a gás. A troca do fogão a lenha para o fogão a gás foi uma verdadeira revolução na cozinha lá de casa. Depois surgiram as práticas cozinhas americanas com os seus armários suspensos. E as novas invenções apareciam a todo o momento, para o delírio de nossas mães. Foi com uma certa tristeza que, um dia, encontrei o paneleiro no fundo do galpão de ferramentas, ele perdeu o seu lugar para as coloridas cozinhas americanas.

    Aos poucos, outros utensílios foram cedendo lugar para as dinâmicas tecnologias do lar. Um dia, eu ouvi uma animada conversa na cozinha, as minhas vizinhas trocavam ideias da nova invenção: a panela que não gruda o arroz. Senti que dessa vez as panelas de ferro perderiam o seu lugar na cozinha. Dito e feito! Quando a vizinha comprou a moderna panela que não deixava o arroz grudar no fundo, outras começaram a comprar.

    Quando cheguei da escola eu pude ver a nova panela mágica sobre as grades do nosso fogão a gás. Era uma panela teflon que já era usada na Europa na década de trinta, mas que aqui era algo moderníssimo. Naquele dia o arroz não grudou, ficou soltinho e a panela teflon venceu a nossa incredulidade. As vizinhas não paravam de falar na nova ciência que transformava as suas cozinhas...

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    A dois quilômetros dali a minha vó continuava feliz com o seu fogão a lenha e as suas panelas de ferro. O vô cuidava da lenha e mantinha o seu machado afiado, ele era parte da cozinha da minha vó e ela não dispensava o seu velho e prático paneleiro...

 

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